PSPC

12/09/2011

R3 - Padrões de Comportamento e Análise de Correlação

 

Na segunda-feira (12), no auditório da ACIC - Associação Comercial e Industrial de Camaquã, o grupo consultivo deu o terceiro passo na elaboração do Projeto “Resíduo Tem Valor!”.

No inicio da reunião as pessoas foram divididas em cinco grupos com os temas: produção, saúde e água, geral (economia e infra-estrutura), educação e IDESE (índice de desenvolvimento social e econômico).

 

 

Os participantes da R3, também assinaram o cartaz sobre a conclusão da R2.


 

Na abertura do encontro foi falado sobre o site da ZERI e o blog do PSPC, que tem como objetivo resgatar e tornar as informações acessíveis à todos. Foi informado, também, sobre o link THE BLUE ECONOMY, que terá a tradução de um capítulo disponibilizado no site www.zeri.org.br. Esse livro está sendo traduzido e será lançado no Brasil nos próximos meses.

 

Para começar o trabalho foi apresentado o filme do “Elefante” que ajuda na identificação dos fundamentos do pensamento sistêmico.

 

Logo em seguida o grupo realizou uma dinâmica conhecida como teia, em que os participantes relatavam o que entendem por “sistêmico”:

 

As resposta obtidas à pergunta foram:

  • aumentar percepção;

  • aumentar conhecimento;

  • ver o todo;

  • encarar o problema de maneira global;

  • visão holística;

  • enxergar o processo;

  • conjunto de idéias;

  • respeitar as regras;

  • repassar;

  • construir o todo;

  • usar a inteligência;

  • nas diferenças buscar o global;

  • pensar no todo igual;

  • trabalhar em equipe;

  • compartilhar;

  • aceitar idéias diferentes das nossas;

  • nas decisões buscar o consenso;

  • através do todo, ter a mesma visão;

  • análise das possibilidades e alternativas;

  • trabalhar as diferenças;

  • não deixar o parcial confundir o todo;

  • buscar a solução o mais simples que parece;

  • relacionar o passado, presente com o futuro;

  • compartilhar o conhecimento;

  • escutar todos envolvidos;

  • ter sensibilidade, se colocar no lugar do outro;

  • tentar enxergar os sistemas do homem de forma como a natureza faz;

  • todos nos dependemos um do outro para ter resultados.

 

Na conclusão da dinâmica ficou reforçado que quanto maior a rede, mais chance tem o projeto de dar certo, e que o grupo deve ser como a natureza que não tem hierarquia, cada elo é importante, e que todos dependemos do todo.

 

Dando sequência a compreensão do pensamento sistêmico foi exemplificado os 10 princípios do método sistêmico. Para um melhor entendimento dos participantes foi sugerida a leitura do livro “Pensamento Sistêmico – Caderno de Campo: O Desafio da Mudança Sustentada nas Organizações e na Sociedade”, dos autores Andrade, Aurélio L. Seleme, Acyr, Rodrigues, Luis H. Souto, Rodrigo, das páginas 42 à 49 e 94.

 

À partir dessa reflexão, a reunião foi conduzida relembrando aos presentes do que havia sido trabalhado até então, para chegar nos dados tratados nesta reunião. Foi ressaltado o trabalho realizado pelo grupo executivo na coleta de dados que obedeceu os seguintes critérios:

  • variáveis obtidas à partir dos eventos elencados na linha do tempo (história de Camaquã);

  • variáveis pesquisadas para um período de 10 anos (2001 á 2010);

  • Utilização de diferentes canais para coleta de dados (prefeitura, sites, entrevistas);

 

Terminada a explanação foi falado sobre o aprendizado do grupo executivo e a experiência na coleta de dados. De acordo com o grupo, para algumas variáveis não foram encontrados os dados, mas sendo de conhecimento do grupo – utilizar a percepção qualitativa do grupo para observar o comportamento da variável ao longo do tempo. Para as variáveis que foram encontrados dados e não são de conhecimento do grupo - não traçar comportamentos, mas manter o fator para inclusão direto na estrutura sistêmica.

 

Foi reforçada a importância de perceber a tendência e não os dados numéricos.

Objetivo do trabalho com os padrões de comportamento são:

  • Conhecer a cidade de Camaquã;

  • Identificar as relações causais entre os fatores;

  • Hipóteses preliminares;

  • Intuições a respeito das influências recíprocas;

  • comparação de curvas.

 

Analise dos padrões de comportamento podem demonstrar:

  • que talvez um problema não seja tão recente quanto se pense, e que as suas origens são mais profundas;

  • como se dará o comportamento de algum evento no futuro;

  • estruturas sistêmicas mais profundas atuando na questão.

 

Quanto análise de correlação dos dados levantados:

  • a análise de correlação observa em dois conjuntos de dados qual o grau de relacionamento e influência (obtido pela curva da tendência);

  • o resultado é um índice de correlação entre dois conjuntos de dados.

 

 

Foram utilizados gráficos sobre os resultados do campeonato brasileiro de futebol para exemplificar como o grupo deveria realizar as análises, quanto aos seus temas e indicadores abordados. A partir deste exemplo os grupos realizaram a avaliação dos dados.

 

 

O exercício foi dividido em três momentos:

Momento 1:

- escolher uma variável que o grupo considere relevante.

- estudar sua linha de tendência. Exemplo: Porque neste ponto o desempenho caiu ou subiu? O que está acontecendo?

PROCURAR CONHECER O EVENTO E SUA EVOLUÇÃO AO LONGO DO TEMPO.

Registrar as conclusões para apresentar (cada grupo).

 

Momento 2:

- existem algumas variáveis que não foram incluídas por ausência de dados e que o grupo identifica como muito importante?

- fazer o gráfico “qualiteitor Tabajara”.

 

Momento 3:

- escolher uma correlação significativa

- comparar os gráficos

- testar se há relação de causa-e-efeito:

- uma variável influencia a outra (direta ou indiretamente)?

- ambas são influenciadas por uma variável em comum?

- é apenas uma coincidência?

 

OS LEVANTAMENTOS REALIZADOS PELOS GRUPOS FORAM OS SEGUINTES:

1º GRUPO – SAÚDE E ÁGUA

 

Óbito fetal e infantil (1999 – 2002)

Os óbitos decresceram em proporções diferentes, sendo que no final do ano 2000 teve um leve aumento.

Neste período se verificou que a população urbana se manteve estável.

Os servidores da saúde, médicos e agentes, se mantiveram estáveis.

O indicador “economias de água fornecida pela Corsan” aumentou neste período.

Em 2004 ocorreu uma elevação dos índices de óbitos.

No mesmo período houve aumento significativo na contratação de médicos, servidores de saúde e agentes de saúde que fez com que diminuísse significativamente o número de óbitos.

Informações descritas pela relatora da reunião:

Verifica-se que os pontos em que o gráfico de óbitos mostra quedas significativas na curva coincidem com os pontos de outros gráficos que mostram intervenções na área da saúde, como aumento de servidores, médicos e agentes, bem como aumento do número de casas beneficiadas com água tratada.

Observou que o aumento da população rural aumentou na mesma proporção do número de óbitos.

Integrantes do grupo: João Viégas – Cleonice – Ledi - Francisca – Sandra Peres e Guel Fernandes

 

2º GRUPO – EDUCAÇÃO

 

Para melhor análise do ensino fundamental é necessário um levantamento de salários e horas trabalhadas por professores e outros fatores importante para análise.

Foi identificado na análise dos gráficos que a partir de 2002 houve aumento nas matriculas regulares de ensino fundamental em função dos programas sociais do governo, como exemplo bolsa escola e bolsa família.

Um fator que contribuiu para o aumento de alunos na rede urbana é que a partir de 2002 iniciou o transporte escolar e a multisseriação em detrimento das escolas da zona rural.

A partir de 2007 houve um crescimento da população total possivelmente creditado a polarização de Camaquã em relação aos município da região, tratando-se de adultos para estudar e trabalhar, o que não se reflete no gráfico do ensino fundamental.

 

Informações descritas pela relatora da reunião:

O grupo solicitou o levantamento de dados do ensino médio, cursos técnicos e outros cursos de graduações da cidade para melhorar a análise.

De acordo com o grupo o indicador “alunos da rede rural” é afetado pelo plantio e cultivo do fumo, pois mesmo com a existência da lei, os pais encontram brechas para justificar a ausência de seus filhos na escola durante os períodos em que se fazem necessários nas lavouras.

Integrantes do grupo: João Carlos Ritter, Carlos Lucindo Moreira, Carlos Schmegel Moreira, Andrisa Milene Pooch, Melissa Szortika e Andréia Becker

 

3º GRUPO – PRODUÇÃO

A área plantada de arroz teve um aumento proporcional em relação a outros indicadores analisados tais como: faturamento das lavouras de fumo, arrecadação de impostos e PIB municipal.

A área plantada de arroz não teve correlação com o dólar como se pensava anteriormente.

 

Informações descritas pela relatora da reunião:

A área plantada por pequenos produtores corresponde à 25% do total, ficando 75% da área cultivada pelos grandes produtores. Essa grande fatia de terras está nas mãos de 25% dos produtores de arroz do município.

A silvicultura só cresceu quando houve investimento do governo, assim como em outras áreas, mas não afetou a produção do arroz.

Integrantes do grupo: Leonardo Lorenzet, Clair Fernandes, Ilca Devantier, Arilei Fernandes, Fernando Vargas e Fábio Peres.

 

4º GRUPO – INFRAESTRUTURA

 

Informações descritas pela relatora da reunião:

O grupo analisou o índice “população urbana” e observou que o gráfico apresenta uma reta em ascendência até o ano de 2006-2007 onde mostra um ponto de inflexão marcante, aumentando abruptamente o crescimento. Analisando os outros gráficos foi apontado pelo grupo este mesmo período, onde, em quase todos eles, também mostra crescimento. Concluiu-se que foi um período de muitas mudanças em vários setores, favorecendo o crescimento populacional, como o início dos trabalhos da Uniasselvi, aumento dos serviços hospitalares, crescimento nos serviços, nas indústrias, na construção civil. Época em que houve aumento de extensão da rede água potável e de ligações e queda de óbitos infantil. Camaquã se tornou uma cidade pólo.

Integrantes do grupo: Raquel Boeira, Tatiane Silva, Marco Aurelio Sperotto, Marizabel Giacomuzzi e Marco Longaray

 

5º GRUPO – IDESE

 O IDESE abrange um conjunto amplo de indicadores sociais e econômicos, classificados em 4 blocos temáticos: educação, renda, saneamento e saúde.

Tem por objetivo mensurar e acompanhar o nível de desenvolvimento do Estado, de seus municípios e dos Coredes, informando a sociedade e orientando os governos (municipal e estadual) nas suas políticas socioeconômicas.

O IDESE varia de zero a um, e assim como o IDH, permite que se classifique o Estado, os municípios ou os Coredes em três níveis de desenvolvimento:

baixo (índices até 0,499), médio (entre 0,500 e 0,799) ou alto (maiores ou iguais a 0,800).

 

Informações descritas pela relatora da reunião:

Olhando os gráficos no IDESE observa-se o crescimento em todos os índices, como educação, saúde e renda. Salienta-se a falta de investimentos em saneamento.

Questionou-se a tendência deste crescimento. Este é um comportamento “bolha”, ou seja, isolado, e que tende a retroceder? Tende à estabilizar ou continuar crescendo?

SESC trouxe dados de serviços/comércio mostrando o crescimento em nossa cidade, trabalho e geração de renda em 2004, reforçando a ideia de que Camaquã se tornou cidade polo da região.

Foi levantado dúvidas em relação aos índices populacionais. Lembrou-se que a prefeitura questionou a contagem feita pelo IBGE em 2007, mas que o processo está tramitando nos órgãos jurídicos competentes. A contagem fez com que a prefeitura recebesse um valor menor do fundo de participação do governo, que é proporcional à população do município. Salientou-se a diferença do trabalho de contagem populacional anual realizada pelo IBGE e o Censo, feito a cada 10 anos, sendo este não é apenas quantitativo mas qualitativo.

O VAB do serviço é a que mais cresce, em Camaquã. Em 2010 o total de empresas de serviços chega à 3.466 e o total de empregados no comércio e serviços é de 6.010, 10% da população do município.

O índice “comércio e serviço” mostra o crescimento no número de laboratórios e clínicas que auxiliam na geração de impostos e emprego formal.

Analisaram que o equilíbrio econômico entre as áreas da agricultura, comércio/serviços e indústria faz com que a cidade cresça e não fique a mercê só de um área. É um crescimento sistêmico em que um setor alimenta o outro e, em caso de dificuldades em um setor, este é apoiado pelos outros, reduzindo o impacto no sistema como um todo.

Camaquã está no 30º lugar no Estado. Pergunta-se: como estaremos nos próximos anos, onde queremos chegar? Reforçou-se que os dados são fundamentais para o planejamento, mas não temos que nos prender a eles.

 

Integrantes do grupo: José Carlos Copes, Daniel Sperb, Jussara Jussara Jaques e Klaus Gutheil.

 

Encerrando o encontro os participantes falaram o que levaram de aprendizado:

 

  • conhecimento

  • necessidade de arquivo e dados

  • informações números práticos – aprendizados

  • informações através de números

  • trabalho equipe e através de dados

  • Camaquã esta crescendo informar aos pessimistas

  • mais claro o todo

  • o que tem no Brasil tem em Camaquã

  • aprendendo sempre

  • planejar requer os dados, a posição da prefeitura e sentimento.

  • motivação, camaquã cresce em todas as áreas.

  • busca e procura da história e informações

  • número da cidade cresce, e que o crescimento é proporcional ao investimento.

  • a memória da história do município está em cada cidadão, na memória dos agentes que construíram a cidade, e ela pode se perder se não for formalizada e registrada. Como exemplo, ainda temos em nosso convívio o único prefeito que foi cassado no período da ditadura, Wilson Dias. Sugeriu-se a execução de entrevistas para o registro desta história viva.

  • aprofundar olhar do município, pela falta de dados

  • os dados ajudam a desenvolver ações e projetos coerentes a realidade e as suas necessidades.

  • conhecimento, aprendizado

  • envolvimento

  • cidade rica, fincada numa região pobre.

  • quem faz a cidade são as pessoas e não os governos e partidos.

  • anseio de busca por dados, e aguarda contato da equipe para troca de informações. 

 Faça Download da apresentação, clique aqui

O próximo passo na construção do Projeto agora é tornar mais visível estes dados, através da FOFA o cruzamento é feito em cima das forças, oportunidades, fraquezas e ameaças com as quais o Projeto terá que lidar. O próximo encontro será no dia 26 de setembro.

 

 

Deixar um comentário

Perfil

Este é o Blog da Sara

Posts Recentes

Facebook